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sábado, 25 de abril de 2009

Três Semanas em Luanda

Mulher angolana com a filha pequena. Foto de João Petito.

Três semanas em Angola!!! Realmente o tempo aqui passa muito rápido. No meu primeiro final de semana em Luanda, fui conhecer a ilha do Mussoulo. A ilha é um lugar paradisíaco e bem próximo da casa onde moro. Uns 10 minutos de carro até o pier improvisado e de lá mais uns 15 minutos em uma pequena lancha (conhecida como voadeira no nordeste do Brasil). A ilha possui a melhor estrutura turística de Luanda, com pousadas e restaurantes a beira-mar com barracas e lounges para relaxar, ou seja, um ótimo lugar para passar um dia de sol. Ficamos do lado abrigado da ilha, já que esse é o lado mais estruturado, mas confesso que não resisti e caminhei uns 20 minutos até o outro lado para dar um mergulho energizante em mar aberto. Um dia perfeito!!!

Depois desse final de semana tive uma semana puxada no trabalho, pois tínhamos que entender o projeto e estruturar o plano de trabalho em uma semana para enviar ao nosso cliente. Conseguimos!!! Também tive que me acostumar a dirigir no caótico trânsito de Luanda, pois meu incrível motorista resolveu sequestrar nosso carro e ir para a farra com ele e os amigos. Tomou um porre, bateu com o carro, sujou tudo por dentro e, obviamente, foi demitido. Pelo menos o carro é automático, pois são 12Km de puro engarrafamento, onde ficamos de uma hora e meia a três horas por viagem, ou seja, de três a seis horas por dia no trânsito. Aprendi a conviver com isso. Não adianta ficar estressado ou reclamar da falta de educação do motorista angolano, pois você ainda corre o risco de levar uns tabefes por nada. Outro dia senti um impacto no carro e quando olhei pro lado entendi: uma mulher tinha se distraído comprando coisas de um ambulante no engarrafamento e tirou o pé do freio. Sua imensa 4 x 4 veio vagarosamente arranhando a lateral do meu pequeno Yaris. Se fosse no Brasil isso teria dado pelo menos uma discussão, mas aqui o melhor que tinha a fazer era andar com o carro para que ela não batesse novamente. É assim!!!

No final de semana passado fui honrado com um convite para almoçar na casa de um importante angolano. Isso aqui é realmente uma honra!!! Passei um ótimo dia e experimentei o principal prato local, o Funge (Folha on line - uma espécie de polenta cremosa feita com farinha de mandioca ou de milho. O acompanhamento pode ter: a quisaca (folhas do pé de mandioca maceradas, cozidas e temperadas); o peixe fresco ensopado; o peixe seco cozido ou assado; a galinha cabidela (ao molho pardo); a muamba (prato à base de galinha, amendoim, quiabos e outros temperos); ou o feijão preparado no óleo de palma (tipo de azeite de dendê), entre outros). O Funge deve ser comido preferencialmente em casas de família, pois é uma comida muito forte e, por isso mesmo, pelo menos nas primeiras vezes, deve ser comido em pouca quantidade, se você conseguir!!! Rsrsrs

Depois do almoço, na hora da despedida, conheci mais uma da cultura angolana. O padrinho de casamento do meu anfitrião, ao se despedir de mim, apertou minha mão e, por algum tempo a segurou. Ficamos de mãos dadas. Quando estamos em outra cultura é importante não julgar nenhum ato previamente, pois sempre julgamos de acordo com a nossa própria cultura, com as nossas crenças e valores. Por isso deixei com que segurasse minha mão. Não sabia o quanto isso representava.

Ao longo dessa semana descobri que essa é a maior demonstração de confiança que um angolano pode dar a aoutro homem. Em um dia tinha, de fato, conquistado a confiança de pessoas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidas. Acho que o fato de ter viajado tanto tempo pelo continente sulamericano e conhecido povos e culturas tão diferentes muito me ajudou.

Essa semana chegou nosso novo motorista, aparentemente uma boa pessoa, e finalmente posso descansar. Nem acredito que poderei finalmente dormir no trajeto casa – trabalho. Ontem nosso Yaris foi pra revisão e este final de semana estou a desfilar de Nissan X-Trail. Tudo bem que o carro é alucinante, mas tenho que admitir que o câmbio automático do Toyota faz uma falta.... Ainda mais nesse trânsito louco de Luanda.

Por enquanto fico por aqui, mas aos pouquinhos vou contando mais!!! Valeu pela companhia...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amo Luanda














Eu com as filhas do Isidro, motorista do Petito, meu colega de casa.

Tanta coisa pra contar em apenas uma semana, mas é melhor começar do começo mesmo!!! Vamos lá...

Minha viagem pra cá foi ótima!!! Tenho muita sorte:

1 - O Vôo atrasou só uma hora e meia. Isso, para os padrões da TAAG, é o mesmo que dizer que o vôo saiu pontualmente.

2 - Na fileira de cadeiras ao lado da minha estava uma jovem angolana a desfilar com sua calça nova da Lacoste comprada no Brasil, ainda com a etiqueta presa. A jovem era mãe de três lindas crianças, lindas e altamente eficientes, pois choravam uma por vez e quando uma terminava sua seção a outra começava sem deixar qualquer intervalo. Impressionante!!! Tive muita sorte com isso, pois lembrei de levar meu MP3 na bagagem de mão!!!

3 – A comida estava horrível e junto com ela recebi de presente a visita de apenas uma e pequena barata de bordo, a essa altura, achei melhor dar um peteleco na barata e comer a comida. Tava morrendo de fome. Podia ser pior, a barata poderia estar dentro da comida...

4 – Foram necessários dois copos de vinho para finalmente apagar, mas pelo menos, graças também ao MP3, consegui!!! Não tenho sorte? Tinha até vinho no vôo!!! Tudo perfeito!!

Acordei com as luzes acendendo para o pão velho com manteiga servido no café da manhã. Até agora custo a acreditar que a passagem é tão cara e o serviço tão ruim!!! Mas tudo bem, não ia ser isso que ia tirar o meu humor!!! Ao passar pela imigração disse que era professor e que estava vindo estudar o modelo de gestão de uma empresa, colou e sem mais perguntas pude passar.

No caminho entre o aeroporto e minha nova casa pude ver o quanto Luanda é pobre, com um povo sofrido e um verdadeiro caos no trânsito. Mal sabia que já estava começando a me apaixonar por esse pedaço de África.

Recebi uma série de recomendações sobre segurança como, por exemplo, tomar o máximo de cuidado ao tirar fotos na rua, não discutir no trânsito e ignorar possíveis insultos que, as vezes, podem ser ditos nas ruas pelo simples fato de não ter a mesma cor de pele. Acho incrível como as pessoas ainda esquecem que por dentro, em nossa essência, somos todos iguais. Quem sabe com o tempo isso possa acontecer........

Conheci minha equipe de trabalho, meu novo gestor, e o projeto que, diga-se de passagem, é apaixonante. Ainda não posso falar sobre ele, mas, se tudo der certo, em breve contarei tudo, ou quase tudo!!! Minha equipe e meu gestor são pessoas ótimas e tenho certeza de que seremos um grande time. Também conheci os demais consultores que estão tocando um outro projeto, mais antigo, e que integram a família de brasileiros da empresa para a qual trabalho.

Minha casa funcional, uma ótima casa por sinal, fica em um condomínio de casas bem afastado do centro de Luanda. A maioria dos consultores mora aqui, porém outros preferiram morar no centro para não enfrentar as 4 horas diárias de trânsito, sendo duas para ir e duas para voltar. Temos a mordomia de contar com um motorista o que torna o engarrafamento bem menos desgastante, o único problema mesmo é ter que acordar todos os dias as 5 da manhã. Quem me conhece sabe o quanto isso é difícil pra mim, ou melhor, ERA...

Divido a casa com outros três consultores e tive muita sorte, pois os três são gente de primeira qualidade. Nos demos super bem e o clima é ótimo por aqui. Essa semana tivemos alguns problemas de água e também com nossa empregada, mas levando na brincadeira tudo fica mais fácil.

Tenho trabalhado muito e a tendência é que nas próximas semanas o ritmo aumente ainda mais. Isso é normal entre os brasileiros que estão por aqui e, quem já trabalhou por projeto, sabe exatamente como funciona. Gosto de trabalhar assim, ainda mais quando o projeto é tão interessante.

Aos poucos vou contando mais sobre Luanda, sobre esse povo sofrido, porém muito trabalhador. Por sinal, quero já falar sobre isso. A população é realmente muito pobre, mas até agora não vi mendigos e nem pedintes pelas ruas. Nos longos engarrafamentos você pode comprar de tudo, pois, sem ter um emprego fixo, os homens compram coisas para revender, tirando proveito da falta de estrutura do comércio local, ou seja, são trabalhadores, ao contrário do que muitos aí no Brasil pensam e, na ignorância, repetem aos quatro ventos. Ontem, inclusive, comprei meus cabides no trânsito, por sinal, os mais caros da minha vida, R$ 2,90 cada um. Para o padrão dos preços de angola, onde um almoço simples, simples mesmo, sai por 40 dólares, até que meus cabides foram super baratos. Em Angola, se você pensar em converter os preços, você não consegue viver e acaba pirando!!!

Tenho muito mais para contar, mas esse texto já está grande demais, né? Fica pra próxima!!!

Um beijo ou um abraço para você e um todo especial para minha mulher que, em português de Portugal, "está a me esperar por aí"!!! Saudades!!!

Agora sim, estou Vivendo Angola e vivendo muito bem, por sinal!!! Obrigado por estar a viver comigo...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quer Investir em Angola???

Muitos já sabem o quanto Angola é atraente para investidores de todo o mundo. Mas especificamente em que vale a pena investir? Em tudo? Talvez, já que o país praticamente está sendo construído do zero, porém, em uma matéria publicada ontem pela agência Angola Press, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, Sr. Antônio dos Santos, sugere alguns setores para aposta imediata:

Luanda – O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA), António dos Santos, considerou nesta segunda-feira que, apesar da crise económica e financeira mundial, Angola continua a ser um mercado de oportunidades de negócios viáveis.

Essas oportunidades decorrem da estabilidade política - condição indispensável para um bom clima de negócios - e da estabilidade macroeconómica do país, referiu António dos Santos durante um encontro com investidores holandeses em Luanda.

Para aposta imediata, sugeriu negócios na fabricação e montagem de equipamentos agrícolas, processamento de bens alimentares e outros produtos agrícolas, fabricação e montagem de equipamento de carga e transporte, têxteis, confecções e calçado, produtos farmacêuticos e na fabricação de plásticos, derivados de borracha e vidro.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

Oportunidades existem, basta você ser empreendedor, ter capital e coragem!!! Vamos pra Angola?

Faltando 1 dia para o embarque!!!